O secretário do Trabalho e Esporte da Bahia, Augusto Vasconcelos, destacou as ações do Governo do Estado para garantir trabalho decente durante o Carnaval 2026, em entrevista ao Balanço Geral, com o apresentador Kalil, nesta quinta-feira (12). Segundo ele, o Carnaval da Bahia é o maior evento de rua do planeta e envolve 150 municípios com apoio estadual, com uma operação integrada que reúne áreas como segurança pública, saúde e infraestrutura. No entanto, o foco principal da pasta é assegurar direitos e melhores condições para categorias historicamente invisibilizadas, como catadores de recicláveis, cordeiros, ambulantes, mototaxistas, montadores e músicos.
Entre as medidas anunciadas estão a oferta de qualificação profissional antes e depois da festa, além da implantação de centrais de convivência com espaço para descanso, alimentação e carregamento de celulares. Para os catadores, o governo vai fornecer equipamentos de proteção individual, como botas, luvas, fardamento, protetor auricular e solar, além da instalação de 11 centrais de reciclagem nos circuitos oficiais. O Estado também investiu na reforma de galpões de cooperativas e na compra de maquinários, como prensas, balanças e caminhões, fortalecendo a estrutura da categoria. De acordo com o secretário, muitos trabalhadores ingressaram na atividade por falta de oportunidades e precisam ser valorizados como parte essencial do sucesso da festa.
No ano passado, a ação conjunta em Salvador e Itabuna resultou na coleta de cerca de 170 toneladas de papelão e plástico, número que, segundo Augusto Vasconcelos, supera outras capitais, como o Rio de Janeiro, que registrou cerca de 10 toneladas no período carnavalesco. Ao todo, mais de 4 mil catadores participam da iniciativa, dentro de um investimento superior a R$ 15 milhões, que inclui alimentação, compra de equipamentos e apoio às cooperativas. A estimativa é que o retorno econômico da reciclagem seja quatro vezes maior que o valor investido, fortalecendo a indústria e garantindo remuneração mais justa aos trabalhadores, com a intermediação do Estado para evitar a exploração por atravessadores.