Nos dois primeiros meses de 2026, o serviço de emergência da Secretaria da Segurança Pública (SSP) enfrentou um problema recorrente e preocupante: o alto volume de trotes. Ao todo, mais de 18,9 mil chamadas falsas foram registradas pelos números 190, 193 e 197, o que representa cerca de 10% de todas as ligações recebidas no período pelo Centro Integrado de Comunicações. Apesar de parecer um dado apenas estatístico, o impacto é direto na rotina das equipes, já que, segundo o tenente-coronel Luciano Jorge, diretor da Superintendência de Telecomunicações da SSP, esse cenário compromete o atendimento de ocorrências reais que já somam mais de 7,5 mil apenas no início do ano.
O histórico recente reforça a gravidade da situação. Em 2025, foram contabilizados cerca de 115 mil trotes, que mantiveram as linhas ocupadas por aproximadamente quatro mil horas
tempo suficiente para atender até 57 mil chamados legítimos. As ocorrências falsas se concentram principalmente durante o dia, muitas vezes associadas a crianças e adolescentes, sobretudo em períodos de férias escolares. Já no turno da noite, há predominância de ligações feitas por adultos, frequentemente com teor inapropriado ou até assédio aos atendentes. Além de prejudicar o funcionamento do sistema, o trote é considerado crime pelo Código Penal, podendo gerar responsabilização judicial, já que cada chamada indevida pode impedir o socorro de quem realmente precisa.