A Justiça dos Estados Unidos impôs um revés ao presidente Donald Trump ao suspender a aplicação de um decreto que endurecia as regras para a votação pelo correio. Em decisão proferida pela juíza federal Indira Talwani, da Corte Distrital de Massachusetts, foram considerados inconstitucionais os dispositivos que ampliavam a participação do governo federal na organização das eleições, tradicionalmente conduzidas pelos Estados. Com isso, a medida fica impedida de entrar em vigor antes das eleições de novembro, que definirão a composição do Congresso norte-americano.
A ação foi apresentada por uma coalizão de 23 Estados e pelo Distrito de Columbia, que acusam a Casa Branca de extrapolar os limites do Poder Executivo ao alterar normas eleitorais sem aval do Congresso. Entre os pontos suspensos estão a criação de um cadastro federal de eleitores e a exigência de que o Serviço Postal entregasse cédulas apenas a pessoas incluídas nessa lista. Na decisão, a magistrada reforçou que a Constituição dos Estados Unidos reserva aos Estados e às autoridades locais a administração do processo eleitoral e determinou que o governo apresente, na próxima semana, um relatório detalhando as medidas adotadas para cumprir a ordem judicial. A expectativa é que a administração Trump recorra da decisão, levando a disputa para instâncias superiores e, possivelmente, até a Suprema Corte.