Os países do Mercosul manifestaram preocupação com a crise política e humanitária enfrentada pela Bolívia e divulgaram, nesta terça-feira (30), uma declaração conjunta em defesa da estabilidade democrática do país. O documento, aprovado durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do bloco, realizada em Assunção, no Paraguai, condena atos de violência, bloqueios de rodovias e qualquer ação que comprometa o funcionamento de serviços essenciais ou ameace a ordem constitucional. Os líderes também reafirmaram apoio ao governo do presidente Rodrigo Paz, reconhecendo sua legitimidade e defendendo que as divergências sejam resolvidas por meio do diálogo e do respeito às instituições democráticas.
A manifestação do Mercosul ocorre em meio à escalada da crise boliviana, marcada por mais de 50 dias de protestos e bloqueios que provocaram desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos em diversas regiões do país. Diante do agravamento da situação, o governo boliviano decretou estado de emergência no último dia 20, restringindo bloqueios de vias, o porte de armas e explosivos e o transporte de combustíveis. As mobilizações tiveram início após a promulgação de uma nova lei sobre propriedade de terras e evoluíram para uma pauta mais ampla, que inclui pedidos de renúncia do presidente. Durante a cúpula, os países do bloco reforçaram o apelo para que governo e manifestantes busquem uma solução pacífica para restaurar a normalidade e preservar a paz social.