O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União acendeu o sinal de alerta e pediu que a Corte apure um possível desvio de finalidade no uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A suspeita é de que jatinhos oficiais tenham sido acionados para atender interesses privados, o que pode ferir frontalmente o princípio da moralidade administrativa.
No fim de 2025, Motta solicitou uma aeronave da FAB para viajar de João Pessoa ao Rio de Janeiro, mesmo sem compromissos oficiais na agenda, segundo revelou a coluna de Lauro Jardim, de O GLOBO. O voo levou 11 passageiros, mas a lista de ocupantes nunca veio a público, aumentando o véu de mistério em torno da viagem.
Após desembarcar no Rio, o deputado seguiu para Angra dos Reis, onde se hospedou com aliados em um condomínio de luxo para celebrar o Réveillon. Para o Ministério Público, o episódio não foi um ponto fora da curva: meses antes, Motta já teria usado aviões da FAB para comparecer a eventos do mercado e a jantares com empresários.
Na representação enviada ao TCU, o subprocurador Lucas Furtado foi direto ao ponto ao afirmar que a prática contraria a moralidade administrativa. Segundo ele, o uso recorrente das aeronaves, sem justificativa de interesse público ou risco à segurança da autoridade, reforça a percepção de que a aviação militar estaria sendo tratada como um meio de transporte mais confortável, e caro, pago pelo contribuinte.