A ausência de grandes lideranças nacionais no desfile do 2 de Julho deste ano sinaliza uma mudança no ritmo político da Bahia em comparação com as movimentações intensas de 2022, conforme avaliou o cientista político João Vilas Boas. Em entrevista ao programa Balanço Geral, ele apontou que apenas o governador mineiro Romeu Zema confirmou presença, contrastando com o passado recente em que figuras como Lula e Jair Bolsonaro disputavam ativamente a atenção do eleitor baiano. Vilas Boas ponderou ainda sobre o cancelamento da agenda do presidente Lula por motivos de saúde, observando que a decisão ocorreu logo após turbulências políticas envolvendo a liderança de Jaques Wagner no Senado.
Para o especialista, o fato de diversos presidenciáveis não comparecerem em peso prejudica o debate democrático em um estado que é considerado um colégio eleitoral decisivo, comparável ao peso de São Paulo. Ele expressou preocupação com o esvaziamento do evento, pois a presença dessas autoridades permitiria que os baianos conhecessem propostas distintas em um território onde há um forte predomínio histórico do PT. Vilas Boas concluiu que a participação de mais nomes nacionais seria essencial para reafirmar a relevância política da Bahia e proporcionar um diálogo direto e necessário entre os candidatos e a população local.