A Corte de Apelação da Itália volta a se debruçar nesta terça-feira (20) sobre o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL), formulado pelo governo brasileiro. A nova audiência ocorrerá de forma reservada, sem acesso do público, e marca a quarta tentativa do tribunal de avançar na análise do caso.
As três sessões anteriores terminaram em adiamentos por diferentes razões. Na mais recente, realizada em 18 de dezembro, os magistrados alegaram ter recebido apenas na véspera documentos encaminhados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que inviabilizou a deliberação naquele momento.
O material enviado ao tribunal italiano detalha os processos que tramitam contra Zambelli no Brasil e traz informações sobre as condições da Penitenciária Feminina da Colmeia, no Distrito Federal, onde a ex-parlamentar deverá cumprir pena caso a extradição seja autorizada. O ponto é considerado sensível na análise, sobretudo no que diz respeito às garantias de direitos humanos.
Carla Zambelli está presa em Roma desde 29 de julho de 2025. Ela deixou o Brasil após ser condenada pelo STF a dez anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Posteriormente, também recebeu pena de cinco anos e três meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. Em dezembro, renunciou ao mandato de deputada federal após determinação do Supremo para que o suplente assumisse o cargo.
O pedido formal de extradição foi encaminhado pelo Ministério da Justiça brasileiro às autoridades italianas em junho do ano passado. Especialistas explicam que a Corte de Apelação avalia critérios como a dupla tipicidade dos crimes, a inexistência de perseguição política e o respeito aos direitos humanos. Caso o tribunal se manifeste favoravelmente, a defesa ainda poderá recorrer a instâncias superiores, como a Corte de Cassação. Esgotadas todas as possibilidades de recurso, a decisão final caberá ao ministro da Justiça da Itália.