O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, afirmou que a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi resultado de uma “circunstância política” influenciada pelo cenário eleitoral, e não por questionamentos à capacidade do indicado.
Em coletiva após a votação no Senado Federal, Randolfe defendeu a qualificação de Messias. “Ele cumpre os pré-requisitos da Constituição, de notável saber jurídico e reputação ilibada. É um dos melhores juristas da história desse país”, declarou.
Segundo o senador, o resultado negativo não deve ser interpretado como fragilidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “No Congresso, se ganha e se perde. Já tivemos várias vitórias e derrotas. O julgamento disso cabe à sociedade brasileira”, afirmou.
Randolfe também rebateu a tese de crise política, classificando como “exagero” a leitura de que o governo teria perdido governabilidade. Para ele, a relação institucional entre Executivo e Legislativo será mantida. “A relação com o Congresso continua a mesma, com respeito e institucionalidade”, disse.
O líder governista destacou ainda que o placar já era esperado como apertado, especialmente diante do contexto político. “Era uma votação sob pressão do processo eleitoral, e isso acabou impactando o resultado”, avaliou.
Sobre os próximos passos, o senador afirmou que caberá exclusivamente ao presidente da República decidir se fará uma nova indicação ao STF. “A prerrogativa é do presidente, que vai avaliar quando e como exercer”, pontuou.
Randolfe também afastou qualquer possibilidade de retaliação ou tentativa de identificar votos individuais dos senadores. “Não vamos transformar isso em caça às bruxas”, declarou.
Durante a coletiva, o parlamentar ainda comentou a pauta legislativa, defendendo a manutenção de vetos presidenciais em discussão no Congresso, especialmente aqueles relacionados à dosimetria de penas. Segundo ele, a derrubada desses vetos poderia beneficiar organizações criminosas.
A rejeição de Jorge Messias, com 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, marcou um episódio raro na análise de indicações ao STF e evidenciou o peso do ambiente político nas decisões do plenário.