O governo dos Estados Unidos afirmou que um dos motivos da aplicação das taxas de 25% impostas sobre os produtos importados do Brasil é que o país permite o desmatamento. A medida foi criticada por especialistas, como o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, que classificou o argumento como uma barreira comercial puramente política.
Segundo o especialista, a narrativa americana ignora o fato de que outros países desmatadores não sofreram sanções similares e desconsidera a postura do próprio governo dos EUA em relação aos acordos climáticos globais.
A imposição da tarifa ocorre no momento em que o Brasil registra avanços no combate à perda de vegetação nativa. Dados do relatório anual do MapBiomas apontam que o desmatamento no país caiu 20,6% em 2025, ficando abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde 2019.
O avanço na fiscalização, impulsionado pelo fortalecimento de órgãos como o Ibama e investimentos do Fundo Amazônia, resultou em reduções significativas de áreas devastadas na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.
Embora o avanço da agropecuária ainda represente a maior parte da perda de vegetação no país, os dados mostram uma trajetória consistente de queda nos índices de devastação. Diante desse cenário, analistas apontam que a restrição imposta pelos norte-americanos busca criar vantagens mercadológicas injustas para o mercado interno dos EUA, utilizando a pauta ambiental de forma seletiva para impor barreiras tarifárias ao comércio brasileiro.