A Polícia Federal comunicou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que o material audiovisual produzido durante a Operação Contenção ultrapassa 945 arquivos. As imagens foram registradas em outubro de 2025, durante a ação policial realizada nos complexos do Complexo do Alemão e da Complexo da Penha, no Rio de Janeiro. Relator da chamada “ADPF das Favelas”, Moraes determinou a realização de perícia técnica nos vídeos, e a PF detalhou os entraves enfrentados para viabilizar a análise do conteúdo.
A operação, coordenada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro com apoio da Polícia Militar, teve como objetivo cumprir mandados de prisão e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho, incluindo lideranças de outros estados que estariam escondidas na região. O desfecho da ação foi marcado por um saldo trágico: 122 mortes, sendo 117 pessoas apontadas como suspeitas e cinco policiais, o que tornou a Operação Contenção o confronto policial mais letal já registrado no país, ampliando a repercussão jurídica e institucional do caso.
Em ofício encaminhado ao STF, a Polícia Federal informou que recebeu apenas links para acesso às imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), mas constatou a impossibilidade de acessar e extrair os arquivos por meio desse formato. Diante disso, a corporação solicitou que o material seja enviado em mídia física, no formato original. O ministro Alexandre de Moraes concedeu prazo adicional de 20 dias para que o governo do Rio de Janeiro encaminhe todas as gravações incluindo imagens de exames cadavéricos à PF, que ficará responsável pela elaboração do laudo técnico após o recebimento integral do acervo.